| Leitura: 4 min | Drª. Sofia Melo Pereira |
Guia para Pais e Familiares!
Ninguém gosta de falar de morte, principalmente para uma criança. Mas crianças precisam experienciar a vida e compreender a morte, livre de culpa, raiva e medo, é essencial para o bem-estar da criança.
COMO É QUE AS CRIANÇAS ENTENDEM A MORTE?
As crianças percecionam e reagem à morte de várias formas, em função:
- do seu temperamento;
- da sua sensibilidade;
- da sua capacidade de coping;
- do seu nível de desenvolvimento e das capacidades associadas ao mesmo.
De recém-nascido aos 10 meses:
A mãe ou o cuidador principal do bebé é a sua principal ligação com o mundo exterior, a sua principal fonte de conforto, segurança e estabilidade.
A morte de um familiar, mesmo que próximo, poderá não ser tão traumática como a morte de um dos seus cuidadores, mas sente a tristeza dos mesmos.
Não compreendem a morte, mas sentem as mudanças e o ambiente negativo, pelo que poderão surgir manifestações, como perturbações alimentares e de sono, choro e irritabilidade.
- Deverão ser mantidos horários e rotinas da criança o mais semelhante quanto possível.
Dos 10 meses aos 2 anos:
Nesta fase as crianças já dispõem da capacidade para demonstrar várias emoções (medo, raiva, amor, fúria). E conseguem também sentir estas emoções do outro.
Ainda não conceptualiza a morte, mas a morte da mãe é sentida como uma grande perda.
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Deverão ser mantidos horários e rotinas da criança dentro do normal o mais possível; Evitar o contacto em demasia com pessoas, sons e vozes estranhas.
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Dos 18 meses aos 2 anos explicar por palavras simples (Ex.: O pai foi embora, a mãe não vem mais).
Dos 2 aos 5 anos:
Nesta altura a criança é muito egocêntrica, curiosa e interpreta as palavras literalmente.
Explicações vagas e palavras indiretas irão causar-lhe confusão e aumentar a sua ansiedade e medo.
- Estas crianças percecionam a morte como uma fase, uma forma de dormir, por isso, deverão definir a morte como o facto do corpo ter parado totalmente.
- Esclareça que não é uma forma de dormir.
- Encoraja a criança a fazer perguntas.
- Partilhar emoções é melhor que escondê-las.
Dos 6 aos 9 anos:
Estas crianças já distinguem a realidade da fantasia e já sentem culpa. Já compreendem a morte e a sua finalidade, mas não estão prontos para aceitá-la ou lidar com ela.
Poderão ocorrer pensamentos tais como: “pode acontecer a qualquer pessoa que eu conheço”; “pode acontecer a mim”; “morte significa mudanças”.
- Fale aberta e honestamente com a criança.
- Explique as circunstâncias de forma sensível, mas factual;
- Arranje tempo para falarem calmamente sobre os medos e as preocupações da criança.
Dos 10 aos 12 anos:
Nestas idades, os pré-adolescentes já sabem que a morte é permanente, os significados dos rituais, como a morte ocorre.
Ainda têm questões relativamente às crenças religiosas ou culturais e podem negar a influência que a morte teve neles.
- Dê-lhe a oportunidade para exprimir os sentimentos.
- Explique-lhe que, apesar de existirem mudanças na família, estará lá para tomar conta dele.
- Convide-o a partilhar as suas preocupações sobre o futuro e ofereça segurança.
- Responda às suas questões o mais abertamente e honestamente quanto possível.
- Não ignore, nem tolere raiva excessiva ou comportamentos excessivos.
Adolescentes:
Os adolescentes já conseguem pensar de forma abstrata, têm perceção dos próprios valores, das suas forças e fragilidades.
Têm uma compreensão da morte semelhante ao adulto, mas o seu estado emocional é inconstante e intenso.
A morte representa o oposto ao que é importante para as suas vidas.
- Se perguntarem as causas e as circunstâncias da morte, responda honestamente.
- Fale de como a morte irá afetá-lo pessoalmente.
- Dê-lhes a oportunidade de participar nas cerimónias associadas à morte e nas decisões das mesmas (planeamento e organização).
- Encoraje-o a manter os seus padrões de comportamento (alimentação, sono e socialização).
- Esteja atento para os sinais de depressão (apatia, fadiga, isolamento, alterações dos comportamentos alimentares e de sono, desinteresse pelas atividades favoritas).
Se a criança ou adolescente continuar a demonstrar sinais de sofrimento prolongado, mudanças significativas no comportamento ou dificuldades em lidar com a perda, é importante considerar a procura de apoio especializado.
Um dos nossos profissionais de saúde mental pode oferecer a orientação necessária para ajudar a criança a processar a sua dor de forma saudável e a restaurar o seu bem-estar emocional. Não hesite em contactar-nos para agendar uma consulta e garantir o suporte adequado durante este período difícil.
